segunda-feira, dezembro 04, 2006

Companhia de GIPS em Braga e Viana do Castelo


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Helicóptero num ataque a um incêndio

Durante o próximo Verão, uma companhia do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR) vais ser colocada nos distritos de Braga e Viana do Castelo, destinada, quase em exclusivo, a combater os incêndios florestais.

Embora sem confirmação, é provável que esta unidade fique sedeada no concelho dos Arcos de Valdevez, local onde se encontram estacionados os helicópteros que esta força vai utilizar e central em relação à área de intervenção prevista.

Esta decisão deve-se ao facto de Viana do Castelo ter sido particularmente atingida durante o Verão passado e ter assistido ao maior de todos os incêndios, em Soajo e Gavieira, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).

Foi assim, considerado que era necessário um reforço do dispositivo, sendo também decidido construir mais pontos de água e novos caminhos de acesso, de modo a facilitar o combate aos incêndios florestais.

Relativamente à polémica expansão do GIPS, já nos pronunciamos por diversas vezes, mas a decisão tomada merece considerações a outro nível, nomeadamente quanto às restantes opções agora reveladas.

Mesmo argumentando que seriam necessários reforços nesta área, trata-se de uma medida reactiva destinada a apaziguar os autarcas locais, já que o problema principal no combate aos incêndios que ocorreram no PNPG foram os acessos e não a falta de meios.

Por outro lado, o ideia de enviar reforços para as áreas mais atingidas em anos anteriores e não para as que, previsivelmente, estarão mais vulneráveis e poderão arder no próximo ano é um absurdo táctico para o qual não encontramos explicação racional.

Não é após a devastação causada pelos incêndios que faz sentido guarnecer a zona com mais meios, dado que, infelizmente, a tendência para arder será menor, sendo mais lógico estacioná-los em zonas onde não existam descontinuidades capazes de protegê-las.

No caso concreto do PNPG, é absolutamente urgente proceder à abertura de caminhos que permitam um acesso rápido e reparar os danos ambientais, promovendo a reflorestação e apoiando financeiramente as populações atingidas, sendo que do exito destas iniciativas depende a viabilidade do Parque, a sustentabilidade da economia local e, em última instância, a própria defesa contra os fogos.

A ideia de ir reforçando os meios de forma causística, sem uma política de desenvolvimento regional e local, acaba por contribuir pouco para o sucesso da luta contra os fogos e, menos ainda, para o desenvolvimento do País, cujo Interior surge como cada vez mais abandonado e economicamente inviável.

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