quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Mais uma promessa não cumprida


Image Hosted by Imageshack
Ambulância do INEM estacionada

Dos protocolos de encerramento do Serviços de Atendimento Permanente (SAP) nos centros de saúde que os municípios de Bragança assinaram com o Ministério da Saúde constava um conjunto de meios de socorro destinados a suprir o aumento de distâncias até à urgência mais próxima.

Foi acordado que um helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e uma equipa de emergência ficaria estacionado em Macedo de Cavaleiros, bem como duas ambulâncias de Suporte Avançado de Vida (SIV), de modo a que não houvesse um impacto negativo para as populações resultantes dos encerramentos verificados.

Este atraso não se deve ao INEM, que desde o Verão de 2007 tem concluido o caderno de encargos com vista ao aluguer do helicóptero, mas tão somente à falta de autorização por parte do Ministério das Finanças, onde o processo se encontra à espera de decisão.

Dos protocolos, assinados em Abril de 2007, era apontado o início do ano de 2008 para que quer o helicóptero, quer as SIV, estivessem operacionais, com as respectivas equipas que incluiriam médicos, enfermeiros e técnicos auxiliares, mas passados dois meses sobre a data prevista, ainda faltam estes recursos essenciais para o socorro das populações.

Já ouvimos o actual Primeiro-Ministro declarar que não serão encerrados mais serviços sem que haja alternativas, mas falta saber se relativamente aos já encerrados e para os quais não foram abertas alternativas ou disponibilizados os meios de socorro protocolados, haverá alguma medida transitória que evite colocar as populações em risco.

O sucedido em Bragança é exemplo desta política de encerrar primeiro e disponibilizar alternativas depois, deixando, entretanto, as populações das áreas mais remotas do País entregues à sua sorte, sem meios de socorro eficazes que, independentemente da sua capacidade, não podem substituir os cuidados prestados em unidades de saúde com as necessárias valências.

Seja a nível do valor individual da vida humana, seja no prisma do desenvolvimento reginal, seja numa perspectiva de solidariedade nacional, a necessária remodelação da rede de urgências tem seguido o caminho errado, comprometendo a segurança das populações e a confiança que estas tinham nas entidades responsáveis pelo socorro, podendo ainda levar a uma maior desertificação do Interior e, provavelmente, a novos encerramentos de unidades de saúde.

Sem comentários: