quinta-feira, novembro 15, 2007

Mais reforços num País onde a prevenção é esquecida


Image Hosted by ImageShack
Um incêndio activo durante a noite

O elevado número de ocorrência em Outubro e Novembro levou a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) a reforçar os meios de combate aos incêndios, com especial incidência no norte do País.

Após o anunciado reforço de quatro meios aéreos, a ANPC disponibilizou mais 586 efectivos apoiados por 129 veículos, dos quais 200 elementos seguiram para o Norte do País.

Nesta época do ano, o recrutamento ou a disponibilidade de voluntários tende a baixar substancialmente e, dado que o sistema de combate aos fogos e grande parte do próprio socorro depende do voluntariado, o destacamento de reforços torna-se absolutamente essencial para manter um nível de eficácia aceitável.

Estes reforços demonstram que houve uma falha de planeamento, dado que houve uma desmobilização quase geral quando o tempo ainda estava quente e seco, e colocam a nú várias fragilidades da Protecção Civil, nomeadamente a extrema dependência da existência de meios aéreos no combate aos fogos em número suficiente.

No entanto, mais grave ainda, é a evidência de que não se efectuam trabalhos sérios a nível de prevenção, optando-se por gastar, leia-se desperdiçar, verbas vultuosas em dispositivos e meios que deviam ser uma solução temporária e não defenitiva, repetida ano apos ano sem que haja qualquer intervenção de fundo.

Lamentavelmente, parece que é mais popular, sendo certamente mais mediático, optar por meios de combate e arriscar as vidas do que combatem os fogos do que adoptar e implementar com o mesmo rigor e empenho medidas de ordenamento e de prevenção que evitem os incêndios e a perda anual de vidas humanas.

Talvez se a legislação existente responsabilizasse devidamente os decisores quando estes erram de forma flagrante, em vez de termos inquéritos que visam apenas actos ou acções pontuais que decorrem dessas mesmas decisões, as políticas seguidas fossem outras e não tivessemos todos os anos mortes para lamentar e, para alguns, para esquecer.

Sem comentários: