Numa entrevista recente, uma eurodeputada portuguesa manifestou a sua satisfação pelo facto de o Parlamento Europeu ter concordado com um projecto onde, entre outras verbas, são contempladas quantias para o combate à desertificação e para a reposição de áreas integradas na rede europeia Natura 2000 devastadas pelos incêndios florestais.
Sem por em causa a utilidade destas verbas, não se pode deixar de realçar o facto de estarmos perante a utilização de dinheiros do orçamento comunitário numa tentativa de suprir faltas graves do Estado português no ordenamento do território, a nível do desenvolvimento do Interior e na falta de eficácia na prevenção e combate aos incêndios florestais.
Assim, estas verbas provenientes de todos os países contribuintes serão utilizadas como remendo temporário para um problema periódico, pelo que se teme que sejam pura e simplesmente desperdiçadas dada a perspectiva da manutenção do actual "status quo".
Igualmente grave, é o facto de tal desperdício ser facilmente entendido pela família europeia, ciente de que este tipo de problemas em Portugal assume contornos que nada têm a ver com o clima ou as condições meteorológicas, em tudo semelhantes à de outros países do Sul da Europa.
Arriscamo-nos, portanto, a tornarmo-nos um elemento cada vez menos desejado numa família que cresce e onde os membros mais recentes poderão, em breve, vir a ter um tratamento preferencial caso utilizem melhor do que nós os recursos disponibilizados pelo orçamento comunitário.
No fim, arriscamo-nos a ouvir a velha anedota, dos tempos idos do Pacto de Varsóvia, em que, quando perguntavam a um polaco qual a razão pela qual a União Soviética era um país irmão e os restantes membros da aliança apenas países amigos, este respondia: porque a família não se escolhe!
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