sábado, fevereiro 09, 2008

Estudo denuncia fragilidades no combate aos fogos florestais


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Um incêndio nas proximidades de uma habitação

Já está em poder da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) o estudo realizado por Hermínio Botelho, do departamento florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), onde são analisadas as falhas no combate aos fogos.

Neste documento considera-se que os meios disponíveis são adequados à realidade nacional, mesmo tendo em conta o clima, que parece estar a evoluir, levantando novas questões, e para as condições actuais, que infelizmente se degradam anualmente, fruto de políticas que potenciam o abandono de extensas áreas do Interior do País.

Apesar de, segundo o estudo, a primeira intervenção ter melhado bastante nos últimos anos, sobretudo devido à existência de meios aerotransportados, que permitem controlar algumas situações numa fase inicial, os problemas surgem quando a dimensão aumenta e surgem dificuldades a nível da avaliação da situação e da coordenação de meios.

O principal problema apontado pelo estudo é a falta de formação dos bombeiros portugueses e as deficiências a nível de coordenação, que dificultam o combate, não obstante a existência de efectivos e meios em número suficiente para o número de ocorrências verificadas.

O recurso a novas tecnologias, nas quais muitas vezes se deposita uma esperança ilusória, mas para as quais não houve nem sequer sensibilização, quanto mais formação, resulta na sua quase completa inutilidade, refugiando-se os comandos em métodos antigos com os quais se sentem mais à vontade.

Outro problema é a dificuldade de avaliar os recursos necessários, a que nós adicionamos a falta de um sistema de informação em tempo real que permita ter uma visão de conjunto e as deficiências no sistema de comando e controle, agravados por uma rede de comunicações ineficaz.

Entre as críticas é salientado o excessivo uso de água e o reduzido recurso a fogos tácticos ou corta-fogos, técnica usada pelos antigos Serviços Florestais e que caiu em desuso durante vários anos.

Relacionado com a formação, mas que deve ser analisado de uma forma independente, falta abordar os problemas relacionados com a logística, que se revela desastrosa em incêndios de longa duração, um sistema de rotação de pessoal na frente de incêndio e uma reserva adequada, incluindo efectivos, material e um escalonamento de meios.

É também sugerido que o estudo seja utilizado pela Escola Nacional dos Bombeiros, de modo a que sejam introduzidas as necessárias alterações curriculares e melhorar assim a formação ministrada.

Muitas das conclusões deste relatório vêm ao encontro do que aqui temos escrito, sendo que a questão da formação, sobretudo a nível dos escalões mais elevados de comando, que necessitam de usar um conjunto de ferramentas sofisticadas que permita uma melhor avaliação e seguimento da situação e a comunicação com as diversas unidades, muitas vezes extremante dispersas no terreno, essencial para melhorar o combate aos fogos e diminuir o risco deste tipo de missões.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Ambulâncias do INEM vão ter GPS


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Sistema de rádio e GPS num veículo de socorro

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) iniciou o processo de equipar as viaturas de socorro, como as viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) e as ambulâncias com GPS, devendo o processo estar em marcha este mês.

No total serão 300 viaturas que irão receber este tipo de equipamento, que inclui o receptor de GPS e um sistema de cartografia digital, essencial para ser usado em zonas do Interior onde as dificuldades de orientação implicam um tipo de solução diferente.

O novo sistema do INEM também inclui a geo-referenciação das chamadas telefónicas de pedidos de socorro, indentificando automatiamente a sua origem a partir de uma lista que inclui mais de 2.000 locais, que incluem hospitais, centros de saúde ou quarteis de bombeiros.

Este sistema, ligado a um módulo clínico facilita a gestão de meios, enviando o que for mais adequado ao socorro, dependendo da situação específica e do local da ocorrência, mas não corresponde ao pretendido sistema de localização de chamadas universal, com capacidade de geo-referenciação baseada num dos vários métodos que já discutimos, mas que continua sem ser implementado, não obstante as exigências da Comissão Europeia.

Para a Associação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, a reacção, muito semelhante à expressa num texto que escrevemos, "o GPS é uma ajuda mas não a solução" e implica um investimento mais alargado, que inclui formação específica, mapas adequados e uma estrutura de socorro adequada.

Relativamente a esta opção do INEM, relembramos o texto que aqui já mencionamos e que publicamos recentemente, lembrando que seria importante que os veículos tivessem um sistema que os localizasse num mapa digital num ponto de coordenação e que, para além deste tipo de sistema, existem outros, baseados no Google Earth ou no Google Maps, mais interativos, que poderão fornecer mais informações do que os sistemas convencionais.

Colocar equipamentos de GPS sem introduzir outras alterações na estrutura de socorro, é ilusório e representa um valor acrescentado de pouco relevo, sendo que esta parece ser uma medida desgarrada, casuística e meramente reactiva, quando o que está em causa necessita de alterações a nível estrututual.

Google Apps Team Edition


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Écran do Google Apps Premier

A necessidade de partilhar informação, como documentos, folhas de cálculo, calendários, apresentações ou outros entre elementos de um grupo de trabalho, recorrendo a um sistema "on-line", independentemente da plataforma física e sem custos pode agora ser satisfeita através de um conjunto de aplicações do Google.

A versão agora lançada, designada por Google Apps Team Edition, destina-se exactamente a ultrapassar problemas de colaboração entre colegas de trabalho ou de escola na elaboração e partilha de documentos.

Após uma inscrição com o enderço da instituição, portando associado a um domínio e não um endereço indepedente, como os do Gmail, Hotmail ou Sapo, e a confirmação por parte do Google, será possível começar a usar esta versão da aplicação.

Tal como noutras versões, não há nem "software" a instalar nem configurações a efectuar, sendo transparente para o utilizador e sem custos em termos quer de programas, quer de suporte.

Tal como acontece com outras plataformas do Google, estão implementadas medidas de segurança, bem como a nível de privacidade, que evitem o acesso de estranhos, assegurando a protecção e a confidencialidade dos dados.

Os administradores de cada instituição têm disponíveis as ferramentas necessárias em termos de configuração, de segurança e de parametrização, de modo a que possam adaptar a plataforma às necessidades específicas de cada organização.

Este produto corresponde à visão do Google de manter as aplicações independentes da plataformas fisicas, acessíveis via Internet por quem disponha de um dos "browsers" standard do mercado, podendo usar desde computadores pessoais até PDA's passando por simples telemóveis com WAP.

Esta é uma solução que aconselhamos a testar por parte de quem tenha responsabilidades em organizações e necessite de uma plataforma informática facilmente acessível e sem custos inerentes à sua utilização, que possa servir de base a trabalhos ou tarefas em que a colaboração seja essencial.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

NDrive apresenta GPS com fotos de navegação aérea


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O novo NDrive G280

A NDrive apresentou o seu modelo G280, um sistema portátil de pequenas dimensões que inclui fotos de navegação aérea, que se baseia na tecnologia do NDrive G800.

A NDrive é uma empresa portuguesa especializada em sistemas de navegação por satélite, que lançou diversos modelos de GPS ao longo dos últimos anos, incluindo diversos equipamentos invadores, com um conjunto de funções específicas que incluem, por exemplo, roteiros culturais ou gastronómicos.

O G280 é o mais pequeno GPS com fotos de navegação aérea disponível no mercado, tendo um écran de 3.5 polegadas, um peso de 140 gramas e uma espessura de apenas 19 milimetros.

O G280R possui um écran táctil com tratamento anti-reflexo, sistemas de multimédia, jogos e a disponibilização de um cartão de memória de 8 GB para armazenar informação adicional.

Com um preço de 250 euros, o G280R pode ser encomendado no "site" do fabricante, onde é possível encontrar informações adicionais nas quais se inlcui a lista das cidades que é possível visualizar através de fotografia aérea, a qual deve ser consultada antes de tomar uma decisão de compra, de modo a confirmar se as áreas cobertas por este sistema correspondem às necessidades do interessado.

Já nos debruçamos sobre a escolha de modelos de GPS em diversos artigos, sendo que será de reler os textos publicados, de modo a que a selecção do equipamento a adquirir corresponda às necessidades, incluindo uma boa cobertura das áreas preferenciais de utilização, equacionando o uso de PDA's com cartografia digital quando os percursos se efectuem maioritariamento fora de centros urbanos.

Uma questão de aparências


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Viatura Médica de Emergência e Reanimação

Pensava-se que o maior problema da confusão que ocorreu em Alijó, da qual resultou um substancial atraso no socorro seriam as deficiências de coordenação, a falta de meios ou o encerramento da urgência local, mas o destaque da investigação solicitada à Inspecção Geral das Actividades de Saúde é fuga de informações, nomeadamente a gravação da chamada, que permitiu que o facto fosse do conhecimento público.

Deve-se dizer que esta era uma atitude esperada por parte de um orgão oficial, mas não será este o problema essencial quando esta gravação descreve uma realidade incómoda que se traduz na perda de vidas humanas.

Presume-se que não seja difícil saber de onde partiu a fuga de informação, dado que é óbvio que esta ocorreu dentro das instalações do Centro de Orientação de Doentes Urgentes e que só um número muito restrito de pessoas poderão ter quer o acesso, quer os conhecimentos técnicos para aceder a uma gravação e copiá-la, de modo a que possa ser enviada para o exterior.

É duvidoso que um simples operador tenha essa capacidade, menos ainda o acesso, pelo que só alguém que opere com o sistema de gravação pode ter sido o autor de uma fuga de informação que, sendo obviamente ilegal, em muito contribuiu para lançar na praça pública uma discussão urgente, e revelar uma situação que não será inédita e que pode resultar em sérias consequências.

Assim, mesmo sendo ilegal, a divulgação desta gravação pode vir a salvar vidas, pelo que, aplicando princípios gerais na nossa legislação, se pode considerar que este acto foi praticado para evitar um mal maior, sendo, portanto, equiparado a situações como as de legítima defesa ou a figuras como o estado de necessidade.

Apenas se lamenta que seja necessário uma fuga de informações para que se analise uma situação desta gravidade que, de outra forma, seria ocultada e se poderia repetir no futuro, sendo que a inspecção devia centrar-se nos inúmeros casos semelhantes que, com toda a probabilidade, se verificam e tomar as medidas necessárias para as evitar.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Vestuário de trabalho da Yoko


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Página do catálogo da Yoko

A Yoko Internacional é um dos maiores fabricantes de vestuário de trabalho, com especial destaque para peças de alta-visibilidade obedecendo à norma EN-471, típica dos coletes reflectores em uso nos automóveis ou de um sem número de peças usadas por entidades que operam na área do socorro.

Tratando-se de um distribuidor de produtos de proveniencia chinesa, a Yoko Europa, baseada na cidade espanhola de Ávila, não vende items isolados, mas em embalagens que podem incluir desde uma dezena de unidades, no caso de peças mais volumosas, como blusões, ou na ordem das centenas, se falarmos de luvas, gorros ou outras peças de dimensões reduzidas, razão pela qual será sobretudo do interesse de entidades colectivas a possbilidade de os contactar.

Até agora, temos sobretudo recorrido à linha mais clássica de blusões de alta-visibilidade, com faixas reflectoras, mas a Yoko também tem linhas destinadas sobretudo ao lazer, como o vestuário para ciclistas ou corredres que, praticando na via pública, necessitam de equipamentos que os tornem visíveis.

Da experiência que temos com productos da Yoko, podemos afirmar que os acabamentos são adequados e os materiais têm demonstrado uma duração e resistência dentro dos parâmetros normais, pelo que consideramos serem de qualidade média, mas tendo o preço mais baixo do mercado de entre as marcas que conhecemos.

Esta sugestão destina-se, portanto, a organizações que pretendam obter vestuário com determinadas características a um preço módico, ultrapassando distribuidores ou revendedores, mas que possam adquirir items em quantidades razoáveis e, eventualmente, os possam personalizar e revender de modo a obter receitas adicionais.

INEM vai definir protocolos com os Bombeiros


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Uma VMER do INEM na Anadia

A secretária de Estado adjunta e da Saúde, Cármen Pignatelli anunciou que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e os Bombeiros vão definir os protocolos que estabelecem o relacionamento e a interligação entre estas organizações de socorro.

No termo de uma conferência de imprensa onde também estiveram presentes o ex-secretário de Estado da Protecção Civil, Ascenso Simões, os presidentes do INEM, Luís Cunha Ribeiro, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), Arnaldo Cruz, e da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Duarte Caldeira e elementos da comissão técnica de requalificação das urgências, Cármen Pignatelli declarou que após "análise das situações que ocorreram, verificámos que é absolutamente necessário definir os protocolos" que definam o relacionamento entre a Emergência Médica e os Bombeiros.

No termo da reunião, que decorreu no Ministério da Saúde, em Lisboa, foram analisadas as situações recentemente vindas a público, sendo reconhecido que "há fragilidades" no sistema que poderá ser "melhorado".

Para ultrapassar este problema, o INEM irá apresentar, dentro de três semanas, uma proposta relativa à organização de uma rede nacional de ambulâncias, sendo que a comissão técnica responsável pelo controlo do protocolo assinado em Maio de 2007 entre o INEM, a ANPC e a LBP irá finalmente reunir-se, pela primeira vez, no dia 07 de Fevereiro.

Assuntos como a distribuição de meios de socorro a nível nacional, a possibilidade do uso de desfribiladores pelas tripulações de bombeiros, entre outros, serão apreciados a nível técnico com base em propostas efectuadas pela LBP.

Após a demissão do ministro da Saúde, seria conveniente que fossem suspensos os encerramentos e que as unidades encerradas fossem reabertas até um estudo detalhado ser efectuado e estarem preparadas as necessárias alternativas e os meios de socorro e de transporte adequados.

A metodologia e a sequência de acontecimentos a que assistimos demonstra que não foram acauteladas nem a segurança das populações, nem a coordenação entre os meios disponibilizados pelas várias entidades ligadas ao socorro, que só agora parece tentarem chegar a uma acordo algo tardio e que, pela pressão dos acontecimentos, poderá não ser o ideal.

Na verdade, o esperado acordo agora proposto é mais uma medida casuística, a reboque dos acontecimentos e que, por muito necessária e eficaz que se revele, não pode corrigir erros de fundo, resultantes de problemas estruturais resultantes de uma manifesta falta de visão polítia e de mau planeamento técnico.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Três montanhistas resgatados: inconsciência e um GPS


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Um Kamov na sua primeira missão de resgate

Três montanhistas que estavam a efectuar uma caminhada no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), na zona de Cabril, concelho de Montalegre, foram resgatados no termo de uma operação que envolveu elementos de duas corporações de bombeiros, uma equipa de sapadores do próprio PNPG e um Kamov Ka-32.

O alerta foi dado pelos próprios para os bombeiros, por volta das 16:00 para os bombeiros, tendo sido dadas coordenadas consideradas como "precisas" do local onde se encontram, situado a 1.500 metros de altitude, fornecidas via telemóvel após leitura de dados posicionais de um GPS.

Na altura, as condições climatéricas, com frio, neve, chuva e o cair da noite a aproximar-se já levantavam sérias aprensões aos três indivíduos que já encontravam dificuldades em deslocar-se.

A Protecção Civil chegou a enviar para o local um helicóptero de resgate, mas a falta de condições de visibilidade impediu a operação de se concretizar no próprio dia, pelo que a responsabilidade passou para as duas dezenas de elementos no terreno.

Perto das 00:00 as equipas de salvamento estariam relativamente perto do local indicado pelos três montanhistas, uma das quais, a única que permanecia calma, se mantinha em contacto com os bombeiros mas, na verdade, só durante a manhã conseguiram terminar a evacuação que assinalou a estreia dos Kamov Ka-32 em missões de resgate.

Após o resgate, os montanhistas foram conduzidas ao Centro de Saúde de Montalegre, onde foram avaliados, verificando-se que estavam de boa saúde, facto para que contribuiu o equipamento que possuiam.

Para além do bom equipamento de que dispunham os montanhistas, onde há que destacar a importância de um GPS e de comunicações, não podemos deixar de criticar o facto de se terem aventurado numa zona de difícil acesso, com neve e com previsões meteorológicas que deviam ter sido tomadas em devida conta, sobretudo por parte de quem afirmou à comunicação social ter experiência neste tipo de actividades.

A decisão de efectuar um percurso na zona em causa e nestas condições, para além de temerária e de por em risco os próprios montanhistas, coloca igualmente em perigo as entidades responsáveis pelo socorro, facto que devia fazer reflectir todos quantos se dedicam a este tipo de actividade, lembrando a responsabilidade de cada um na sua segurança pessoal e na dos que, em caso de necessidade, terão que intervir.

Temos vindo a relatar, por diversas ocasiões, acidentes que provocaram vítimas entre elementos do socorro e reconhecemos que esta é uma missão de risco, pelo que cabe a todos contribuir para que não se criem perigos adicionais resultantes de actos irreflectidos.

Resta-nos salientar a importância de dispor de um GPS e a possibilidade de enviar a posição, de modo a que uma operação de salvamento, que demorou longas horas apesar do conhecimento da localização exacta, chegasse a bom termo, sendo que, na ausência de uma informação com esta precisão, as consequências desta aventura podiam ter sido trágicas, dadas as dificuldades de busca na área onde os montanhistas se perderam.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Lâmpada para leitura de mapas para automóveis


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Lâmpada para leitura de mapas de 12 volts

A maior parte dos veículos modernos têm luz interior, mas para quem tem um descapotável ou um Land Rover Série, a questão da iluminação pode ter uma resposta diferente.

Este pequeno sistema, destinado à leitura de mapas ou a iluminar equipamentos, pode ser ligado a uma tomada de isqueiro padronizada, existente na maioria dos veículos e proporciona uma luz clara e intensa, emitida por um conjunto de seis "leds".

O consumo de energia deste equipamento é de apenas 40 mA, tem um cabo semi-rígido orientável de 27 cm e um interruptor que permite ligar e desligar a luz, cujos "leds" têm uma vida útil estimada em 10.000 horas de operação.

Por um preço de aproximadamente 8 euros, já incluindo os portes, esta é uma solução interessante e de baixo custo, capaz de responder às exigências da maioria dos utilizadores.

Dois bombeiros gravemente feridos quando acorriam a um acidente


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Uma ambulância do INEM em acção

O despiste de uma ambulância que seguia em missão de socorro provocou ferimentos graves nos dois bombeiros da corporação de Pedrógão Grande que compunham a tripulação.

O acidente ocorreu pelas 16:00, no IC8, próximo de Nodeirinho, no distrito de Leiria, tendo os dois feridos sido evacuados para o Hospital dos Covões, em Coimbra.

A ambulância sofreu o acidente quando acorria a prestar socorro aos três feridos sem gravidade resultantes do despiste de uma viatura ligeira, também em Nodeirinho.

Neste domingo, as condições climáticas eram adversas, mas o facto de a rede de urgências ser cada vez menor obriga a deslocações mais longas, sendo que, na tentativa de manter o mesmo tempo entre o acidente e a entrada das vítimas no hospital de destino, pode resultar numa tendência para correr mais riscos ao efectuar o percurso a maior velocidade.

Os riscos resultantes do aumento das distâncias a percorrer, é uma das consequências do encerramento de unidades de urgência, particularmente gravoso para quem desempenha missões de socorro, pelo que se teme que o número de acidentes com ambulâncias e de vítimas entre os respetivos tripulantes venha a aumentar.

Este efeito colateral, que parece ter sido relativamente ignorado pelos decisores políticos, mas também por muitos dos que detêm responsabilidades operacionais, deve ser analisado com extrema atenção, não apenas no presente, mas também em termos de projecção no futuro.

Se adicionarmos o desgaste adicional, a nível físico e psicológico, resultante do aumento de distâncias, e da pressão para manter os tempos de evacuação verificados antes do encerramento de algumas unidades de saúde, podemos estar diante de uma combinação extremamente perigosa que deve ser estudada e corrigida antes que se veirfiquem situações mais graves do que as ocorridas no domingo passado.

domingo, fevereiro 03, 2008

Bombeiros de Alijó vão ter central única


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Central de bombeiros

Após os problemas de coordenação que ficaram conhecidos de todo o País quando a chamada originária do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) foi atendida por elementos de duas corporações que, estando sós, não puderam responder com a prontidão adequada, foi decidido que as seis corporações de bombeiros do concelho de Alijó terão uma central de atendimento comum.

Esta foi a solução encontrada para evitar que a lamentável situação que se verificou recentemente se repita, mas, infelizmente, não resolve os problemas com que corporações com poucos efectivos se debatem, pelo que seria conveniente outra abordagem que atacasse a raiz do problema.

Uma possibilidade que consideramos mais adequada seria a de concentrar os efectivos de prevenção nas várias corporações do concelho num só quartel, eventualmente de forma rotativa ou no que oferecer melhor condições, para onde seriam redirecionados todos os pedidos de socorro, de forma a haver o número suficiente de elementos presentes para desempenhar as missões atribuidas pelo CODU.

Outra hipótese seria a de as escalas noturnas serem efectuadas rotativamente pelas várias corporações do concelho, que concentrariam os efectivos dispersos nas várias noites numa única ocasião, de modo a existir a disponibilidade necessária para uma resposta imediata.

A ideia de introduzir uma central única, quando o problema reside, essencialmente, nos fracos efectivos e na dispersão de meios, pode não resolver o problema, limitando-se a fazê-lo transitar do CODU para quem atender a chamada, que terá a incumbência de encontrar uma corporação com os efectivos e os meios para acudir ao pedido.

Por esta razão, dado que podemos estar diante de uma transferência de responsabilidade mais do que de uma solução, consideramos ser de tomar em conta as duas propostas que subscrevemos como forma de obviar a uma situação que se pode repetir.

sábado, fevereiro 02, 2008

ICANN quer ser independente dos Estados Unidos


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Logo do ICANN

A Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), entidade reguladora dos domínios da Internet a nível mundial, solicitou ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos que deixe de ser tutelada pelo governo americano.

No relatório entregue pelo ICANN, considera-se que os objectivos já alcançados de entre os defenidos pelo governo americano, permitem um funcionamento autónomo, independente de qualquer tutela governamental.

Foi o próprio governo americano que solicitou ao presidente da ICANN, Paul Twomey, um relatório sobre os passos dados por esta instituição, revelando os resultados que metade do "Joint Project Agreement", onde consta o acordo contendo os objectivos necessários para libertar a ICANN de controlo oficial.

A independência do ICANN é essencial para uma maior flexibilidade da sua operação e contribuirá para uma transparência que, estando dependente do governo de um dado país, dificilmente pode ser alcançado, pelo que este passo, que há muito devia ter sido dado, será extremamente importante numa altura em que se discutem regulações que podem afectar a criação de novos tipos de domínios ou a classificação dos existentes.

VMER dependem de disponibilidade de pessoal hospitalar


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Uma VMER do INEM estacionada

Apesar de inúmeras vezes repetida pelo anterior Ministro da Saúde, a existência de 38 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) em território continental não significa que este efectivo esteja permanentemente disponível e pronto para efectuar missões de socorro urgentes.

A morte de uma paciente no distrito de Bragança ocorrida na 2ª feira passada levantou, mais uma vez, esta questão que cria uma ilusão de falsa segurança, pensando que pode ser socorrido por um meio que, afinal, pode não estar disponível.

A operacionalidade das VMER depende da disponibilidade de médicos e enfermeiros dos hospitais onde estão baseadas, dado não terem um quadro de pessoal próprio, independente de qualquer unidade de saúde, pelo que poderão estar fora de serviço em períodos de algumas horas durante vários dias por semana.

O facto de serem profissionais de saúde que, fora dos seus horários normais de trabalho, tripulam as VMER tem óbvias consequências na eficácia do socorro, sobretudo nos distritos do Interior e nas zonas onde foram encerrados serviços de atendimento permanentes (SAP) ou valências em unidades de saúde.

Desta falta de recursos humanos resulta que, por exemplo, a VMER sedeada no Hospital de Chaves, está inoperacional às quartas e sextas-feiras de manhã, tendo o socorro, independentemente da gravidade, ser realizado por outros meios, que poderão ser inadequados, colocando em risco os habitantes da zona transmontana.

Se atentarmos ao facto de terem sido encerrados serviços no próprio Hospital de Chaves, que obriga a transferências para Vila Real, a indisponibilidade da VMER poderá ter consequências graves, pois os meios de que dispoem os bombeiros nem sempre são os mais adequados ao socorro, sobretudo se é necessária, por exemplo, a presença de um médico ou de equipamento de reanimação.

Este tipo de situação, comum em muitos distritos, com especial incidência no Interior, traduz-se numa segurança ilusória dadas às populações, que presumem ter nas proximidades um meio de socorro que, afinal, poderá não estar disponível para ocorrer às situações mais graves.

Sem atribuir tripulações próprias às VMER, a capacidade operacional destas fica dependente da disponibilidade de pessoal médico e de enfermagem que as opera fora do seu horário de trabalho, diminuindo a sua capacidade e criando situações de potencial perigo, pelo que será da maior importância dotá-las de pessoal próprio, com treino cada vez mais específico e que tenham na área da emergência o essencial da sua formação.

Um dos meios mais importantes do sistema de socorro, sem dúvida o mais sofisticado, merece um tratamento diferente, que potencie o investimento realizado e dele extraia a máxima rentabilidade, mantendo as VMER sempre operacionais e disponíveis para intervir quando solicitadas.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Desfibrilador automático Philips HeartStart Defibrillator


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Desfibrilador Philips HeartStart Defibrillator

Existem inúmeros modelos de desfibriladores automáticos, mas o facto de haver modelos que foram autorizados para uso doméstico pelo governo americano em função da sua facilidade de uso e da segurança que conferem, levou-nos a optar por descrever com algum detalhe um destes equipamentos.

O desfibrilador automático Philips HeartStart Defibrillator foi concebido para ser utilizado por pessoal não especializado, apenas com uma formação no seu uso, e tem como mercado principal as pequenas empresas, aviões ou espaços comerciais, mas pode ser utilizado por qualquer entidade responsável por missões de socorro.

Este modelo inclui todos os acessórios necessários para o uso em adultos, como as almofadas de contacto, mala de transporte, manual e guia de referência rápida, para além de uma bateria recarregável com 4 anos de duração.

A sua utilização é extremamente fácil, dado que fornece indicações por voz, em inglês, durante todo o processo, interpretando as acções do utilizador e acompanhando a reanimação mesmo quando esta envolve respiração boa a boca ou massagem cardiaca.

Os sensores permitem avaliar o estado da vítima, recorrendo a descargas eléctricas apenas em caso de necessidade e com a voltagem necessária, recorrendo a um algoritmo de avaliação que envolve um sistema baseado em "microchips".

Este modelo realiza um auto-teste diário, de modo a estar sempre pronto para ser usado, avisando em caso de ser necessária manutenção ou recarga.

É possível adquirir este tipo de equipamento, com acessórios e uma garantia de 5 anos por um preço de aproximadamente 800 euros, a que acrescem portes e taxas alfandegárias, mas a sua valia, atestada por mais de 175.000 unidades vendidas, poderá justificar este valor numa única utilização.

Algumas perguntas sem resposta relacionadas com o socorro


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Mapa de estradas de Vila Real

As alterações introduzidas na rede hospitalar e nas urgências levam-nos a formular um conjunto de perguntas sem resposta relacionadas com o socorro, para as quais ainda não encontramos resposta nos planos do Governo.

Entre as questões que consideramos essencial vermos respondidas encontram-se as seguintes:

Qual o meio de socorro primário adequado para esta situação?

Quanto demora a chegar ao local da ocorrência, em condições de difícil circulação e/ou com más condições climáticas?

Que alternativas existem, caso o percurso inicialmente previsto esteja intransitável?

Que meio socorro secundário adequado pode ser accionado caso o meio primário esteja ou fique indisponível?

Quanto demora a alternativa a chegar ao local da ocorrência, em condições de difícil circulação e/ou más condições climáticas?

Que alternativas existem, caso o percurso inicialmente previsto para o meio secundário esteja intransitável?

Estas questões têm que ser colocadas para cada localidade onde seja necessário prestar socorro de modo a que os meios disponíveis sejam posicionados de onde possam acorrer e chegar ao seu destino dentro do espaço de tempo determinado.

Será este, sem dúvida, um processo complexo e trabalhoso, mas só quando for possível garantir que cada ponto do território nacional está coberto por um socorro eficaz, capaz de comparecer dentro de um espaço de tempo pré determinado e com os meios adequados a cada ocorrência se pode falar em termos de rede nacional.

No entanto, não queremos com o aperfeiçoamento da organização e da coordenação do socorro substituir cuidados que devem ser prestados em unidades hospitalares, erro em que tem caido o processo de reorganização em curso, misturando funções que cabem a entidades distintas.

Enquanto não houver resposta para as questões colocadas e preferencialmente, for possível âs populações, através de um mapa interactivo, ver qual o meio disponível para cada local, o caminho a percorrer, o tempo estimado e que alternativas existem, dificilmente qualquer reforma do mapa hospitalar poderá ter sucesso e ser compreendido pelos utentes do Serviço Nacional de Saúde.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Não haverá mais encerramentos de urgências sem alternativas


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Um dos muitos SAP perdidos neste País

Após longos meses de encerramento de unidades de saúde e urgências, na altura em que é substituido o ministro da Saúde, o primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu que não se procederá a novos fechos sem que existam alternativas.

Apesar da intenção de manter a actual política de reformas na área da Saúde, abrangendo a rede hospitalar, e de assegurar que não haverá recuos, surge agora a promessa de que serão criadas alternativas antes de qualquer novo encerramento.

As declarações do primeiro-ministro, que poderão parecer prudentes, confirmam o que todos sabemos, ou seja, que se procedeu a encerramentos sem criar alternativas, colocando conscientemente em risco as populações apenas devido a uma questão de controle de despesas.

A gravidade destas afirmações, que só por sí deviam atingir contornos de autêntico escândalo público, correspondem a uma autêntica confissão, confirmando a irresponsabilidade de um conjunto de decisões políticas das quais resultou, quase certamente, a perda de vidas humanas devido às deficiências do socorro prestado.

Espera-se que o compasso de espera que, inevitavelmente, teremos pela frente, permita repensar muitos dos planos traçados e responder a um conjunto de perguntas que continuam em aberto e brevemente aqui formularemos, e que podem comprometer o socorro em Portugal.

Uma panaceia chamada GPS


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GPS numa ambulância israelita

Quando surge algum problema de falta de coordenação, comunicação ou simples incompetência, é normal pensar que as novas tecnologias são uma espécie de panaceia para todos os males e dispensam o mais elementar dos raciocínios.

Após o descalabro público resultante do atendimento a uma vítima de queda, em Alijó, a primeira ideia não é a de atacar a raiz do problema, seja repensando o encerramento das urgências hospitalares, seja a nível da formação e da profissionalização do socorro, mas tão somente a de instalar um sistema de orientação nas ambulâncias.

Colocar um GPS nas viaturas de emergência, e nem sequer estamos a falar de um sistema capaz de transmitir a sua posição para uma central de coordenação, foi a solução proposta, aliada à referenciação geográfica das chamadas de pedido de socorro, há muito prometido, mas sempre adiado por razões mais financeiras do que técnicas.

Na verdade, se pensarmos nas vantagens do sistema e as aplicarmos ao que ocorreu em Alijó, provavelmente nada teria mudado, com a excepção da conversa inicial onde a operadora poderia ter identificado a origem da chamada sem mais delongas, mas a partir daí não teria sido o facto de as ambulância terem um GPS que teria aumentado a sua disponibilidade, nem este equipamento podia aumentar a velocidade de uma viatura de emergência médica que se deslocava em condições climáticas difíceis.

As novas tecnologias são essenciais como complemento, com uma mera ferramenta capaz de potenciar aquilo que uma estrutura organizada e bem treinada, mas não corigem erros estruturais ou organizacionais nem substituem uma formação profissional adequada.

Adicionar novas ferramentas a um profundo erro pode, no limite, ter um efeito perverso de apaziguar críticas, acalmar ânimos e simular uma tentativa de resolução do problema, mas rapidamente ser revelará um castelo de cartas e os efeitos da sua implementação serão pouco mais do que o dispêndio inútil de verbas que seriam mais bem aplicadas noutra área, como na formação de pessoal ou na manutenção das urgências em locais isolados.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

CompeGPS apresenta mapas digitais


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Mapa da zona de Marrakesh em África

A CompeGPS apresentou um conjunto de mapas digitais, incluindo algumas das zonas mais visitadas pelos adeptos do todo o terreno no Norte de África.

Os mapas são vendidos em DVD, existindo, atualmente, para diversos países europeus, incluindo a Espanha, a Alemanha e a Finlândia, bem como, em resoluções mais baixas, para outros continentes.

Os mapas podem ser adquiridos em conjunto com o CompeGPS Land, a um preço inferior ao dos produtos comprados individualmente, e foram adaptados a um formato vetorial que facilite o uso com este programa.

Obviamente, questões relacionadas com a calibragem, "datuns" ou outras que por vezes dificultam a utilização de mapas digitais não se sentirão por parte de quem recorrer a estes mapas que se encontram prontos a ser utilizados.

Chamamos a atenção para o facto de a colecção de 515 mapas que cobrem o continente africano são de origem soviética e têm parte da informação em cirílico, com tradução para inglês, podendo ser adquiridos na totalidade ou nas zonas correspondentes ao Norte e ao Sul, divididos pela linha do equador.

Com preços entre os 89 os 149 euros, os mapas do CompeGPS podem parecer caros, mas se verificarmos que a cobertura intergral do território espanhol à escala 1/25.000 fica dentro destes valores e compararmos com o preço de uma colecção semelhante de mapas militares portugueses, podemos concluir que o valor será adequado.

Esta é uma sugestão que se destina, sobretudo, aos dirigentes de clubes de todo o terreno ou aos organizadores de expedições, que muitas vezes se confrontam com dificuldades na obtenção de mapas de algumas zonas de eleição, como Marrocos ou a Tunísia.

Demitiu-se o ministro da Saúde


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O ministro demissionário, Correia de Campos

A pressão para que o ministro da Saúde, Correia de Campos, fosse substituido há muito que fazia prever este desfecho, não obstante as tentativas de o manter no Governo e o apoio recentemente dado pelo próprio primeiro-ministro.

A falta de credibilidade resultante de uma política que consideramos errada, aliada a uma manifesta incapacidade de explicar as alterações que pretendia introduzir no Serviço Nacional de Saúde, cujas consequências para os cidadãos todos conhecemos, tornavam insustentável a manutenção por mais tempo de Correia de Campos à frente do ministério da Saúde sem que as cada vez maiores dificuldades que enfrentava permitissem qualquer acção governativa.

A ausência de planeamento, a opção por encerrar antes de implementar alternativas, a ideia de que o socorro pode substituir serviços de urgência, as deficiências de coordenação entre instituições e organismos e todo um extenso conjunto de problemas que, tal como tantos outros, temos vindo a denunciar e condenar, há muito que antecipavam este desfecho, não obstante as palavras do titular do cargo, presente diariamente em noticiários televisivos onde tentava esconder as evidências.

No entanto, não é a substituição do ministro que, só por sí, vai resolver os problemas que se têm avolumado, que resultam não apenas da acção anterior protagonista, mas de uma linha política determinada a nível superior e que envolve outros decisores que se mantêm em funções.

Esta será, sobretudo, uma oportunidade para credibilizar o ministério da Saúde, mas, mantendo-se a mesma linha de acção, as tréguas serão curtas e a nova titular do cargo em breve estará numa situação semelhante à do seu predecessor, com a desvantagem de uma muito menor tolerância perante qualquer novo incidente que surja.

Caso este temporário "estado de graça" não seja utilizado para suspender um conjunto de medidas que, independentemente do seu mérito, só podem avançar quando todo o conjunto em que se incluem estiver completo e depois de devidamente explicadas às populações, o desgaste da nova titular do cargo será extremamente rápido e em breve não terá maior autoridade política do que o seu antecessor.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Windows XP "Service Pack" 3 "Release Candidate" disponível para download


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Écran do Windows XP com SP3 instalado

Está disponível desde Dezembro a "Release Candidate" do "Service Pack" 3 em versão inglesa para o Windows XP, a qual pode ser obtida gratuitamente através do "site" da Microsoft.

Esta actualização inclui, essencialmente, um conjunto de alterações, melhoramentos ou correcções que têm vindo a ser disponibilizados de forma avulsa, tendo sido acrescentados alguns "updates".

Os "Release Candidate" são versões pós-beta, que serão no essencial idênticas às que serão disponibilizadas como defenitivas, mas podem ainda ter alguns erros, pelo que a sua instalação deve apenas ser feita em equipamentos que não desempenhem tarefas ou missões críticas e após salvaguarda dos dados nele contidos.

Este "Service Pack" inclui poucas novidades, tendo como intenção consolidar diversos "updates" que antes estavam dispersos e não introduz diferenças significativas no Windows XP, pelo que será de equacionar com prudência a sua instalação dado serem escassas as melhorias sentidas.

Técnicos de emergência exigem reorganização do socorro


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Desfibrilador semi-automático

Um comunicado da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Pré Hospitalar (ANTEPH) veio pedir ao Governo "medidas claras" para a reorganização do socorro em Portugal.

A ANTEPH pretende que sejam implementadas medidas urgentes, como a "profissionalização" das tripulações das ambulâncias de socorro, pertencentes aos bombeiros, a criação de centrais integradas de emergência médica e a suspensão da actual política de encerramentos de unidades de saúde.

Citando eventos recentes, como as que têm ocorrido no distrito de Vila Real, a ANTEPH considera existir uma "clara falta de apoios que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e a Autoridade Nacional de Protecção Civil têm dado às corporações de bombeiros, uma vez que são do conhecimento de todos e nada foi feito para serem corrigidas" e que os problemas crescentes na emergência pré-hospitalar se deve à "política de desintegração do socorro, utilizadas pelo INEM, através da megalomania de ter uma rede de ambulâncias próprias, desapoiando as estruturas já existentes".

Apesar do aumento do número de tripulações profissionais ao serviço do INEM, estas continuam em franca minoria, sendo de lamentar que a falta de formação dada a muitos dos elementos adstritos a equipas de socorro os impeça de recorrer aos equipamentos mais sofisticados que estão disponíveis.

Neste último aspecto, devemos recordar a mais de uma centena de desfibriladores automáticos, semelhantes aos usados em muitos aviões comerciais, que estão fora de serviço devido à falta de formação das tripulações das ambulâncias.

Este facto é tanto mais lamentável quando um desfibrilador é um instrumento essencial para a reanimação e se nos lembrarmos que os modelos automáticos permitem uma utilização fácil e segura, para a qual a formação necessária é rápida e pode ser ministrada com facilidade por instrutores qualificados.

Torna-se cada vez mais dolorosamente evidente que unidades ou valências na área da saúde foram encerradas sem que uma alternativa viável, que não pode passar unicamente pelo reforço dos meios de socorro, estivessem disponíveis e a funcionar em pleno.

As consequências de um planeamento evidentemente deficiente, que assume contornos de negligência ao não prever todo um conjunto de situações que eram inevitáveis e têm como resultado a perda de vidas humanas, deviam há muito ter tido consequências políticas e a suspensão imediata de todo o processo.

Lamenta-se que a teimosia continue a impedir alguns governantes de arrepiar caminho e corrigir um conjunto de erros que se têm vindo a multiplicar, deixando atrás de sí uma longa série de vítimas, das quais só as que são denunciadas pela comunicação social têm vindo a público.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Polar Rose desenvolve sistema de reconhecimento facial


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Écran do Polar Rose

A Polar Rose, uma empresa sueca especializada no desenvolvimento de "software" de reconhecimento facial vai disponibilizar um serviço "on-line" nesta área, esperando tê-lo operacional até ao próximo Verão.

Vai ser disponibilizado um "software" gratuito, destinado a pesquisar fotos armazenadas localmente ou "on-line", recorrendo a tecnologias de reconhecimento que identificam caraterísticas específicas de cada rosto.

Estas caraterísticas comparáveis são obtidas através do "software" que identifica um conjunto de pontos chave e converte os dados de imagens bidimensionais em modelos tridimensionais, dando origem ao que é designado por "impressões faciais".

Será com base na identificação de pontos que serão estabelecidos um conjunto de dados antropométricos que incluem proporções faciais, formatos, distâncias e outros valores quantificaveis que possam ser usados em pesquisas.

Os sistemas de reconhecimento facial têm vindo a ganhar importância, com utilização nas mais diversas áreas, sobretudo no controle de presenças ou na elaboração de bases de dados.

Impacto no socorro do aumento de serviços de transporte - 2ª parte


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Ambulância dos bombeiros em Lisboa

O impacto que esta política tem a nível da disponibilidade de ambulâncias e tripulações, enquanto meios de socorro, cada vez mais necessários à medida que as distâncias entre potenciais vítimas e os locais de atendimento aumentam, não foi, manifestamente, estudado ou analisado, pelo que se pode prever que o desgaste rápido que vão sofrer estes meios e os seus tripulantes terá consequência severas a médio prazo.

Submeter um sistema de socorro a um esforço prolongado, sobrecarregando-o com missões que deveriam ser da responsabilidade de outras entidades, pode levar a um colapso em zonas onde uma combinação de factores, como o maior número de quilómetros a percorrer, a escassez de efectivos e meios ou as dificuldades climáticas resultem num desgaste rápido.

Por outro lado, não foi devidamente acautelada a saúde financeira das corporações, que suportam a esmagadora maioria dos serviços, nem a sua disponibilidade em termos de meios e de efectivos, sendo que a maior exigência horária, aliada a uma desertificação do Interior, pode resultar na necessidade de recorrer cada vez mais a pessoal contratado.

Esta possibilidade, de que pode resultar o colapso financeiro das corporações com menos recursos, arrastaria consigo não apenas o sistema de socorro, mas a própria assistência médica, cada vez mais dependente do sistema de evacuação e transporte, resultando em sérios problemas não apenas na prestação do socorro, mas de cuidados médicos primários às populações.

Verifica-se que, efectivamente, houve muito pouco planeamento e uma evidente falha no equacionar de todos os efeitos colaterais resultantes do encerramento de unidades de saúde, sendo que as consequências não serão imediatas, mas irão agravar-se à medida que o dispositivo de socorro, devido à sobrecarga de trabalho, aumentar o tempo de resposta ou começar a falhar em alturas de maior pressão.

As reais consequências desta política, que classificamos como desastrosa, será sentida, sobretudo, no próximo Verão, quando a combinação de incêndios florestais, férias e desgaste de meses de esforço acrescido se farão sentir com maior intensidade e mais graves efeitos nas populações do Interior.

Esta previsão, que esperamos não se verifique, mas que acreditamos estar devidamente fundamentada, significa, inevitavelmente, perda de vidas humanas e um cada vez maior risco para os que desempenham missões na área do socorro, resultante de uma combinação de maior desgaste, aumento dos quilómetros a percorrer, maior sentido de urgência e pressão contínua para manter em funcionamento um dispositivo em franca degradação.

Espera-se que nos meses que medeiam até ao próximo Verão, uma análise cuidadosa e o bom senso levem à adopção de medidas que estabilizem e melhorem o actual dispositivo e reponham o nível de segurança existente antes das absurdas modificações a que assistimos nos dias de hoje.

domingo, janeiro 27, 2008

Detector de monóxido de carbono


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Detector de monóxido de carbono

O monóxido de carbono (CO) é extremamente perigoso, difícil de detectar e provoca a morte de forma silenciosa, sem que a maioria das vítimas se aperceba de que está a ser intoxicada.

A morte por inalação de monóxido de carbono de uma bombeira numa viatura de comunicações e comando, ocorrida em 2006, mas lembrada num texto recente, levou-nos a reflectir sobre a necessidade de implementar um sistema de detecção que previna novas mortes.

Este detector de monóxido de carbono modelo 9CO5-UK, que encontramos no EBay inglês, obedece às regulamentações daquele país e funciona a pilhas, pelo que a sua montagem não depende de qualquer circuito de alimentação.

Os detectores podem ser adquiridos em quantidade, a preços mais vantajosos, vindo embalados individualmente, com folha de instruções em inglês, sendo que para unidades adquiridas isoladamente, o preço anda pela dúzia de euros a que acrescem portes.

Este é um equipamento de segurança de baixo custo, cuja necessidade em veículos que sejam estacionados nas proximidades de incêndios ou operem geradores é absolutamente essencial, mas que também não deve ser ignorado por todos quantos usem gás nas suas casas.

Por um valor módico, este aparelho ou um equivalente pode dar um acréscimo de segurança que não deve ser negligenciado, sobretudo pelos responsáveis por quantos têm que desempenhar missões em áreas onde este perigo esteja mais presente.

Impacto no socorro do aumento de serviços de transporte - 1ª parte


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Ambulância dos Bombeiros de Vidago

Já mencionamos diversos problemas resultantes da evidente falta de planeamento e de visão de conjunto que caracterizam a actual política de remodelação dos serviços de saúde, concretamente algumas das consequências resultantes dos múltiplos encerramentos ou perdas de valência, mas os efeitos na estrutura de socorro devem ser analisados separadamente.

Com o encerramento ou a redução de horários de centros de saúde, tem-se vindo a assistir ao posicionamento de ambulâncias nos locais onde estes funcionavam ou durante o período de encerramento, quando se verifique, por exemplo, o fecho noturno.

Estas ambulâncias, que podem pertencer ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ou, em maior número, aos bombeiros, ficam, normalmente imobilizadas, numa missão que alguns pretendem que minimize o impacto da perda de um serviço de atendimento.

Obviamente, substituir um serviço e uma estrutura de atendimento por uma ambulância, por muito bem equipada que esteja e por muito qualificada que seja a tripulação é algo que, para nós, não faz qualquer sentido, podendo resultar não numa solução parcial, mas num duplo prejuizo, quando à perda da unidade de saúde se adiciona a de um meio de socorro que fica impossibilitado de cumprir a sua missão.

O encerramento de unidades de saúde, por outro lado, aumenta substancialmente o número de quilómetros a percorrer não apenas em missões de socorro, mas também em transportes, os quais acabam por ser cada vez mais morosos e empenham um maior número de recursos que, assim, ficam indisponíveis para outro tipo de missões.

sábado, janeiro 26, 2008

"Linha Alerta" identificou mais de 200 casos de pornografia infantil


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Logo de combate ao crime na Internet

A "Linha Alerta Internet Segura" identificou durante o ano de 2007 um total de 256 "sites" de pornografia infantil e 33 outros com conteúdos racistas.

Esta linha destina-se a acolher denuncias de conteúdos ilegais na Internet, tendo recebido mais de 200.000 visitas de que resultaram mais de 1.226 denúncias, tendo sido identificados 256 "sites" de pedofilia, 33 conotados com o racismo ou a xenofobia e 11 que apregoam a violência extrema.

Após um tratamento inicial, onde é efectuada uma primeira triagem de modo a verificar se os conteúdos são efectivamente ilegais e é determinada a localização geográfica do sistema onde estão alojados, aqueles que são considerados como crimes são denunciados às autoridades competentes de cada país, que em Portugal é a Polícia Judiciária (PJ).

Para além de Portugal esta rede internacional integra linhas de atendimento em perto de 30 países europeus e fora da Europa, entre os quais a Austrália, o Brasil, o Canadá, a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a Islândia, o Japão e Taiwan.

Devemos dizer que de todos os casos que reportamos à PJ, muito antes anos de existir este "site", resultantes de mensagens de correio electrónico que recebemos, nunca obtivemos qualquer retorno, facto que se lamenta, pois tal desencoraja as denúncias.

Temos consciência de que a PJ não pode nem deve divulgar dados relativos às investigações que faz e que, estando os servidores em países estrangeiros, caberá às autoridades policiais desses países conduzir o processo, mas uma simples mensagem de confirmação de recepção, uma indicação dos procedimentos a adoptar ou uma informação posterior ao termo da investigação seria a atitude mais correcta.

Ministério Público arquiva processo sobre morte de bombeira


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Viviana Dionísio em 2006

O Ministério Público (MP) de Leiria decidiu pelo arquivamento do processo-crime relativo à morte de uma bombeira das Caldas da Rainha, em Agosto de 2006.

Segundo um relatório da Protecção Civil, a acumulação de monóxido de carbono no interior da viatura de comando e comunicações deveu-se a uma deficiência de montagem, concretamente à falta de tamponamento de um orifício na carroçaria.

A peritagem realizada pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, que entretanto foi substituido pela actual Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC), revelou este o "gerador de energia eléctrica era uma fonte de monóxido de carbono", estava incorporado na lateral da parte direita da traseira do veículo e a saída de escape do gerador estava orientada para a frente, deixando os gases entrar para o interior do habitáculo.

Desta deficiência, resultou a morte por intoxicação de Viviana Lourenço Dionísio, de 29 anos, operadora de comunicações do Centro Distrital de Operações de Socorro de Leiria, mas que a 11 de Agosto de 2006 estava ao serviço dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha.

Conforme um texto que publicamos na altura, a Viviana foi encontrada no habitáculo, local do condutor e ajudante, por colegas que vinham proceder à sua rendição, após longas horas de presença nas proximidades de um incêndio.

Segundo a autópsia, a morte foi causada por "intoxicação por monóxido de carbono", revelando as análises toxicológicas "uma taxa de carboxihemoglobina de 64 %".

Após este acidente, foi efectuado um levantamento de todas as viaturas semelhantes, não tendo sido encontrada a mesma deficiência em nenhuma outra.

Dado que o MP considerou não haver responsabilidade criminal, que seria sempre difícil de obter mesmo a nível de negligência dadas as dificuldades de prova existentes neste caso, resta à família optar por um processo cível, responsabilizando que adaptou a viatura.

Este acidente, no entanto, devia fazer a ANPC reflectir e mandar efectuar testes de estanquicidade nos veículos que desempenham missões de combate aos incêndios, sobretudo naqueles em que os ocupantes permanecem mais tempo, como os de comando e comunicações, e instalar detectores de monóxido de carbono com sistema de alarme, capazes de alertar os ocupantes para níveis elevados de gases perigosos.

A sugestão de efectuar testes de estanquicidade periódicos, cujo custo é reduzido, bem como a de instalar detectores de gás, igualmente pouco dispendiosos, poderia evitar que ocorressem outras mortes nas mesmas condições em que a Viviana perdeu a vida, mas, por outro lado, a não observação de algo tão simples como o agora proposto, será algo que entra no domínio da negligência e deve ser punido criminalmente.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

O socorro debatido na comunicação social


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Central de Orientação de Doentes Urgentes

Queremos chamar a atenção para a reportagem e o subsquente debate que foram transmitidos pela SIC, onde o problema da assistência prestada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e pelos bombeiros quando chamados a acorrer a uma vítima de queda em Castedo, no concelho de Alijó.

Esta reportagem será particularmente importante e esclarecedora para quem esteja menos em contacto com os problemas específicos do Interior do País e as dificuldades com que se defrontam aqueles que aí desempenham missões de socorro.

A transcrição da conversa que envolve familiares da vítima, operadoras do INEM, bombeiros das corporações de Favaios e Alijó, proveniente do "site" do Correio da Manhã (CM), demonstra quer as dificuldades, quer as deficiências de atendimento e a fraca disponibilidade de meios locais, pelo que foi accionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).


Chamada da família da vítima para 112 pelas 04:00, sendo o contato feito por uma mulher:

Operadora: – Emergência médica, bom dia.

Mulher: – (imperceptível)

Operadora: – Mais alto, estou a ouvir muito mal.

Mulher: – (imperceptível)

Operadora: – Castedo, Alijó, Bairro de Santo António nº **. Diga-me o número de telefone caso a chamada vá abaixo.

Mulher: – *********

Operadora: – *********. Minha senhora, ouça o que lhe vou dizer. O que se passa aí?


O irmão da vítima substitui a mulher ao telefone e a conversa continua:

Irmão:– Estou? Estou?

Operadora: – Diga então o telefone daí.

Irmão: - *********.

Operadora: – Pronto, muito bem. Diga-me o que se passa aí.

Irmão: – Podia ligar-me aos bombeiros?

Operadora: – Diga-me o que se passa aí. Para que quer a ambulância?

Irmão: – (imperceptível)

Operadora: – Quer uma ambulância em sua casa?

Irmão: – A vir cá alguém é a guarda (GNR)], não é?

Operadora: – Mas quer a guarda ou a ambulância?

Irmão: – Vale mais a guarda.

Operadora: – Olhe, se é só a autoridade que quer, vai desligar e voltar a ligar 112 e pede autoridade. Se há pessoas feridas, é mais ambulância.

Irmão: – Não, não... Ele morreu.

Operadora: – Morreu?!

Irmão: – Ele deve ter morrido.

Operadora: – E é homem ou mulher?

Irmão: – É um homem.

Operadora: – Com que idade?

Irmão: – Quarenta e nove, mais ou menos.

Operadora: – Quarenta e quantos?

Irmão: – Quarenta e quatro.

Operadora: – Quarenta e quatro anos. Ele já estava doente ou foi agredido?

Irmão: – Ele estava doente.

Operadora: – Doente com quê?

Irmão: – Caiu!

Operadora: – Você é familiar dele?

Irmão: – Sou irmão.

Operadora: – O seu irmão já estava acamado?

Irmão: – Não. Estava em pé e tudo. Foi em casa. Ia a descer as escadas e caiu.

Operadora: – Ao descer as escadas caiu. Foi hoje a queda?

Irmão: – Foi, foi agora de noite.

Operadora: – O senhor disse que ele morreu.

Irmão: – É. Está morto. Deitou muito sangue pela boca.

Operadora: – Mas diga-me uma coisa: isso mesmo agora?

Irmão: – Foi. A minha mãe estava a dormir e deu conta.

Operadora: – Ele não respira?

Irmão: – Não.

Operadora: – Confirme-me a morada.

Irmão: – (imperceptível), Alijó.

Operadora: – Como?

Irmão: – Castedo, Alijó.

Operadora: – O senhor está a dizer que o seu irmão faleceu e está tão calmo. O senhor não está a brincar com o 122, pois não?

Irmão: – Não. Não estamos a brincar. Ouve lá.

Operadora: – Neste momento o seu irmão não se mexe e não respira?

Irmão: – Não, não, não.

Operadora: – Olhe, vai desligar que eu daqui a um bocadinho volto a ligar. Pretendem ambulância e autoridade. É isso?

Irmão: – Sim, sim.

Operadora: – Para que querem a autoridade?

Irmão: – Quer dizer que não se vai tocar nele nem nada. Não é?

Operadora: – O quê?

Irmão: – Não se pode tocar nele.

Operadora: – Fique a aguardar a chegada de ajuda. Boa noite.


Na sequência da chamada de emergência, outra operadora do Centro de Oorientação de Doentes Urgentes do INEM telefona para os Bombeiros de Favaios:

Operadora: – Boa noite. É do CODU do INEM. É uma saidinha para Castedo.

Bombeiro de Favaios: – Diga.

Operadora: – Para o Bairro de Santo António, n.º **. Diga-me uma coisa: a VMER de Vila Real é a mais próxima, não é?

Bombeiro de Favaios: – A de Vila Real já está fechada.

Operadora: – Quanto tempo demora a viatura médica?

Bombeiro de Favaios: – Ainda demora até ao Castedo. Vila Real...

Operadora: – Não. De Vila Real a Castedo?

Bombeiro de Favaios: – Ai. De Vila Real a Castedo? Sei lá.Três quartos de hora.

A operadora do CODU fala com uma médica que se encontra presente.

Operadora: – Doutora, a VMER demora três quartos de hora, mas também não tem coiso aberto...

Médica (M): [imperceptível]

Operadora: – Mas que quer que ponha? VMER não disponível?

M: [imperceptível]


A operadora do INEM volta a falar com os Bombeiros de Favaios:

Operadora: – Não há nenhum centro de saúde aberto?

BF: – Não, aqui está fechado.

Operadora: – Vamos mandar a VMER de Vila Real. Isto é um masculino, de 44 anos. Quem nos ligou diz que caiu das escadas, deitou sangue pela boca, parece estar morto.

Bombeiro de Favaios: – Diga. Estou?

Operadora: – Sim. Está-me a ouvir?

Bombeiro de Favaios: – Estou.

Operadora: – Estou. Está-me a ouvir?

Bombeiro de Favaios: – Estou...

Operadora: – Ó meu Deus! Eu estou a ouvir. Está-me a ouvir?

Bombeiro de Favaios: – Diga, diga...

Operadora: – Ouviu o que eu disse até aqui ou não ouvi nada?

Bombeiro de Favaios: – Não ouvi. Desculpe lá, estou a ouvir de telemóvel.

Operadora: – Vou mandar vir a VMER de Vila Real. O senhor caiu pelas escadas. Quem ligou diz que já está morto!.

Bombeiro de Favaios: – Ah!... Pois, e agora o que quer que se faça?

Operadora: – Ficha CODU 32...

Bombeiro de Favaios: – Espere aí, que eu agora não tenho aqui caneta!!!

Operadora: – Eu vou ajudá-lo. Vou passar a VMER de Vila Real para ajudar a chegar ao local. Não desligue. (...) Valha-me Deus, estou lixada.

Após este contacto operadora do CODU liga para a médica de serviço à VMER de Vila Real.

Médica da VMER: – Sim?

Operadora: – Olá, doutora. É uma saída, para longe.

Médica da VMER: – Para onde?

Operadora: – Castedo, Alijó. (risos)

Médica da VMER: – Ok. O que é?

Operadora: – Um senhor de 44 anos caiu pelas escadas. Deitou sangue pela boca. O contactante diz que ele está morto!

Médica da VMER: – Morto?

Operadora: – Sim. Diz o irmão.

Médica da VMER: – Pois, coitadinho.

Operadora: – Mas com uma calma gélida, segundo a minha colega.

Médica da VMER: – Hummm...

Operadora: – Eu vou passar-lhe os Bombeiros de Favaios para dar uma ajudita.

A operadora do CODU volta a conversar com os Bombeiros de Favaios.

Operadora: – Estou, Favaios?

Bombeiro de Favaios: – Estou, estou.

Operadora: – Ajude aqui a viatura médica, se faz favor..

Bombeiro de Favaios: – Sim, sim, ora diga lá então..

Operadora: – Estão em linha, pode falar.


A chamada é transferida de modo a que o bombeiro de Favaios e a médica da VMER de Vila Real falem um com o outro.

Médica da VMER: – Boa noite.

Bombeiro de Favaios: – Boa noite.

Médica da VMER: – Boa noite. Podiam dar-nos algumas indicações? Onde é o...

Bombeiro de Favaios: – Como, como?

Médica da VMER: – Se nos podia dar algumas indicações. Onde é...

Bombeiro de Favaios: – Ora bem. Eu não sei como é que vou explicar. Chega ali a Alijó, vai adiante, ao pé das bombas de gasolina. Há uma rotunda à esquerda. Corta à esquerda, para ir ao Intermarché. E segue sempre em frente para o Castedo. Sempre estrada fora.

Médica da VMER: – Para onde?

Bombeiro de Favaios: – Para o Castedo.

Médica da VMER: – OK. Pronto, obrigado.

Bombeiro de Favaios: – E agora, o que faço?

Médica da VMER: – Diga?!?

Bombeiro de Favaios: – O que faço? É preciso ir lá eu?

Médica da VMER: – (risos). Ó senhor, nós vamos a caminho.


Após o diálogo, operadora do CODU volta a falar com o bombeiro de Favaios:

Operadora: – Ó, Favaios!

Bombeiro de Favaios: – Diga, diga.

Operadora: – Obviamente é para lá ir a ambulância para iniciar suporte básico de vida. Se estiver em paragem. Digo eu.

Bombeiro de Favaios: – Olhe, mas arranco para lá eu?

Operadora: – ... (risos).

Bombeiro de Favaios: – Estou?

Operadora: – Peço desculpa. Eu estou a falar com uma corporação de bombeiros, não estou?

Bombeiro de Favaios: – Está sim. Mas estou a atender o telemóvel.

Operadora: – Então eu estou a dar-lhe uma saída, e pergunta-me a mim o que vai fazer? Nunca tal me aconteceu.

Bombeiro de Favaios: – Desculpe lá, desculpe lá.

Operadora: – Claro que tem de ir para o local com a ambulância e com o colega.

Bombeiro de Favaios: – Então qual é o número?

Operadora: – 32703.

Bombeiro de Favaios: – Posso desligar, CODU?

Operadora: – Pode, pode.

Bombeiro de Favaios: – Arranco então. Vou já arrancar para lá.

Operadora: – Sim, arranque para lá. Avalia a vítima e, quando tiver dados, dá a informação para cá para o CODU.

Bombeiro de Favaios: – Eu estou sozinho.

Operadora: – Está sozinho?

Bombeiro de Favaios: – Estou.

Operadora: – Então como vai sair uma ambulância sozinha?!.

Bombeiro de Favaios: – Não tenho mais ninguém agora aqui.

Operadora: – Como não tem?

Bombeiro de Favaios: – Então como vou fazer!?!

Operadora: – Espere aí! (dirigindo-se para a médica da VMER) Ó doutora, Favaios está sozinho, não tem mais ninguém... (volta a falar com o bombeiro) Não arranja outro tripulante?

Bombeiro de Favaios: – Quem é que vou arranjar agora?!

Operadora: – Qual é a corporação mais próxima além de vocês?

Bombeiro de Favaios: – Só Alijó.

Operadora: – Quanto tempo para chegar ao local?

Bombeiro de Favaios: – É só ir buscar a ambulância e arrancar!

Operadora: – É só ir buscar a ambulância e arrancar! (risos em fundo)

Bombeiro de Favaios: – Cinco minutos.

Operadora: – Mas quanto tempo demora a chegar ao local?

Bombeiro de Favaios: – Daqui ao local são sete a oito minutos.

Operadora: – Dez minutos. Qual é a corporação mais próxima? É Alijó?

Bombeiro de Favaios: – É Alijó.

Operadora: – Quanto tempo Alijó demora a chegar ao local?

Bombeiro de Favaios: – Mais ou menos a mesma coisa. É pegado.

Operadora: – Então vou mandar Alijó. Vou pedir ajuda, para você ajudá-lo a chegar ao local. (desabafo para alguém que está ao lado) Tu estás a ver? Ele está sozinho. “O que é que eu faço?”, pergunta-me ele.


Depois de contactar a corporação de Favaios, a operadora do CODU telefona para os Bombeiros de Alijó:

Bombeiro de Alijó: – Estou sim...

Operadora: – Uma saidinha para Castedo.

Bombeiro de Alijó: – Castedo é Favaios!

Operadora: – Pois é. Mas Favaios está só com um senhor e a ambulância. E a vítima pode estar em paragem respiratória. Vai a viatura médica de Vila Real. Não posso enviar uma ambulância só com uma pessoa para fazer uma emergência médica.

Bombeiro de Alijó: – Aqui também não tenho ninguém.

Operadora: – Não tem aí ninguém.

Bombeiro de Alijó: – Não. Só se chamar...

Operadora: – Então...

Bombeiro de Alijó: – Aqui só fico eu de noite.

Operadora: – Só fica o senhor sozinho de noite na corporação? Então se há um incêndio?

Bombeiro de Alijó: – Tenho de tocar a sirene.

Operadora: – Tem de tocar a sirene. Ó valha-me Deus!

Bombeiro de Alijó: – Minha amiga, não temos meios.

Operadora: – (dirigindo-se à médica da VMER) Ó doutora, Alijó idem idem...

Bombeiro de Alijó: – Mas eu vou chamar um colega meu.

Operadora: – Ó doutora. Eu posso mandar ir o de Favaios e o de Alijó. (dirige-se ao bombeiro) O senhor pode ir?

Bombeiro de Alijó: – Vou chamar o meu colega.

Operadora – Vai chamar o colega. Pronto, então siga. Vá. Bairro de Santo António. n.º **

Bombeiro de Alijó: – Qual é o número da ficha?

Operadora: – 32706, Sabe onde fica?

Bombeiro de Alijó: – Sei, sei. Vou já ligar.

Operadora: – Pronto, obrigada.


Existem óbvias falhas na coordenação, disponibilidade, meios e formação, agravadas pelo encerramento de uma urgência sem que se verificasse uma substituição efectiva, esta da responsabilidade do Ministério da Saúde.

Quer o vídeo do debate na SIC, quer a transcrição obtida a partir do CM, são exemplificativos de um País que muitos desconhecem e, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, não denunciam uma rara excepção, mas tão somente uma triste realidade que se teima em ignorar.

Esta situação, que era previsível, revela as fragilidades de um sistema de socorro que, ao substituir cada vez mais as unidades hospitalares, poderá brevemente entrar em colapso, colocando em sério risco as populações mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Compra de aviões para combate a incêndios adiada


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Canadair CL-215 estacionados

O Ministério da Administração Interna (MAI) informou que já não será este ano que o concurso para aquisição de aviões de combate a incêndios florestais será aberto.

Segundo o MAI esta é a "melhor decisão de racionalização de custos", pelo que, se excluirmos os 9 helicópteros da Empresa de Meios Aéreos (EMA), as restantes aeronaves que irão completar as 56 anunciadas pelo ministro serão alugadas.

Este ano, estarão ao serviço da Autoridade Nacional de Protecção Civil durante a "Fase Charlie" um total de 56 meios aéreos que incluem dois aerotanques anfíbios pesados, oito aerotanques ligeiros, seis aerotanques médios, seis helibombardeiros pesados e 34 helicópteros médios ou ligeiros.

Para o MAI os seis helicópteros pesados Kamov Ka-32 da EMA "têm capacidade para substituir aviões pesados no combate a incêndios florestais", do que resulta a diminuição do número de aviões pesados.

Com apenas dois aviões pesados, presume-se que apenas estejam presentes ou os Beriev Be-200 ou os Canadair, dado que em termos logísticos não será vantajoso misturar modelos.

Por outro lado, a ideia de que os Kamov podem substituir aviões pesados pode ser enganadora se imaginarmos que o farão na proporção de um para um, sendo que ao aumento do número de meios não corresponderá, obrigatoriamente, uma maior capacidade em termos de transporte ou de largada.

No entanto, o que ressalta desta notícia é o novo adiamento do processo de aquisição de aviões de combate aos incêndios, algo que, na actual conjuntura e paga a dívida russa, não nos espanta dada a prioridade dada ao equilíbrio das contas públicas.

Lamenta-se, no entanto, quer a ideia de substituir aviões pesados pelos Kamov e, sobretudo, o novo adiamento da aquisição de meios próprios enquanto se dispende vultuosas quantias com alugueres.

Por outro lado, o adiamento de um processo de aquisição que sabemos ser moroso vem comprometer ainda mais as razões que presidiram à criação da EMA, que acaba por gerir durante um periodo cada vez mais prolongado um conjunto de meios que dificilmente justificam a sua existência como entidade autónoma.

Existe um conjunto de avaliações realizadas ao longo de anos, das quais resultaram diversas conclusões, certas ou erradas, mas que tentam ser um corpo coerente, sendo que as alterações ou adiamentos introduzidos, bem como a alteração de pressupostos, vem contrariar o trabalho realizado e relançar um conjunto de questões que pareciam estar decididas.

Inclinamo-nos cada vez mais para a ideia de que imperativos de curto prazo e uma falta de visão global preside às decisões de quem parece navegar à vista, decidindo de forma casuística e incapaz de perspectivar o País em termos de futuro em áreas tão fundamentais como os da protecção civil ou da segurança interna.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

56 meios aéreos no combate aos fogos no Verão de 2008


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Um Eurocopter AS350 B-3

O ministro da Administração Interna (MAI), Rui Pereira anunciou que este ano a Autoridade Nacional de Protecção Civil vai dispor de um total de 56 meios aéreos de combate a incêndios florestais na altura crítica das operações, ou seja na "Fase Charlie".

Este conjunto de meios suplanta os 52 que estiveram disponíveis no ano passado, tendo sido já dado início ao concurso que visa alugar 10 helicópteros de combate aos incêndios.

O ministro também revelou que a Empresa de Meios Aéreos (EMA), responsável pela gestão da frota de aeronaves do Estado destinada a missões na área da Administração Interna e especificamente no combate a fogos, receberá até ao final do mês o Certificado de Operador de Trabalho Aéreo solicitado ao Instituto Nacional de Aviação Civil.

O titular do MAI também informou que já se encontra operacional a base de Ponte de Sôr, onde ficarão estacionados os meios aéreos da EMA e os que vierem a alugados durante o próximo Verão.

Em termos de reforços terrestres, o titular do MAI adiantou que em Junho estará operacional a 2ª Companhia da Força Especial de Bombeiros, vulgarmente conhecidos por Canarinhos, o que permite alargar a área de intervenção aos distritos de Évora, Beja e Setúbal.

No ano de 2007, a 1ª Companhia tinha como zona de actuação os distritos da Guarda, Portalegre, Santarém e Castelo Branco, havendo na altura a promessa de expandir os efectivos e a área de intervenção.

Torna-se óbvio que a primazia continua a ser dada ao combate, com uma aposta fraca na prevenção a inexistência de medidas estruturais que combatam a desertificação do Interior e contribuam para a sustentabilidade das zonas mais pobres do nosso País.

Enquanto não houver uma mudança de políticas e de mentalidades, Portugal ficará cada vez mais confinado a uma faixa junto do Litoral, mais estreira em cada ano, enquanto o Interior do País desaparecerá em termos populacionais e económicos, sendo que, continuando por esta via, o combate aos incêndios começará a carecer de sentido ao realizar-se em áreas onde, para usar as palavras do ministro Mário Lino, não há gente, não há hospitais, não há indústria...

VMER demorou 2 horas a chegar a Alijó


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Uma VMER do INEM

A demora na chegada de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) proveniente de Vila Real a Castedo, no concelho de Alijó, poderá ter estado na origem da morte de um homem de 43 anos.

A vítima faleceu devido a uma hemorragia, na sequência de uma queda na sua casa em Castedo, tendo a VMER demorado cerca de duas horas a percorrer um trajecto normalmente efectuado em 50 minutos.

Como razão da demora, os tripulantes da VMER referiram as dificuldades resultantes do espesso nevoeiro que se fazia sentir durante a noite e que impossibilitava deslocarem-se mais rapidamente.

Esta vítima faleceu numa localidade a cerca de 50 quilómetros de Vila Real e a pouco mais de dez de Alijó, cujo Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do centro de saúde foi encerrado no final do mês de Dezembro passado.

O acidente ocorreu pelas 03:30, tendo uma ambulância dos bombeiros de Alijó chegado perto de meia hora depois, mas como não dispunha de meios de socorro e de uma tripulação com a formação necessária, foi necessário chamar a VMER de Vila Real.

Já há muito que levantamos o problema de eventuais atrasos resultantes de dificuldades no trajecto ou indisponibilidade do meio de socorro primário, pelo que não nos espanta que tal tenha sucedido, sobretudo numa zona do Interior de difíceis acessos e onde as condições climáticas podem atrasar o socorro.

Uma situação como a ocorrida no concelho de Alijó, era expectável, mesmo sendo impossível de prever onde e quando, mas as condições estavam criadas a partir do momento em que a urgência local fechou e os meios de socorro não podiam assegurar que chegariam dentro do tempo previsto.

Não basta ter um mapa de Portugal para desenhar um mapa de urgências, posicionar meios de socorro ou determinar a localização de transportes, sendo absolutamente necessário efectuar simulações, prever situações de excepção, como a alteração de condições climáticas, avarias, indisponibilidades ou outras, e estabelecer planos alternativos que garantam a segurança das populações.

Há mortes que não podem ser evitadas, mas as que dependerem de um planeamento negligente, de incompetência ou de falta de trabalho deve ser investigado e os responsáveis deverão ser identificados e punidos por algo que, sendo praticado fora da área política, seria considerado como um crime grave.